Três mulheres serão árbitras da Copa 2022

Finalmente temos mulheres apitando uma Copa do mundo! Confira neste artigo tudo sobre as escolhidas e a repercussão disso tudo!
Finalmente temos mulheres apitando uma Copa do mundo!
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Mulheres em campo na Copa de 2022

Um fato inédito

As mulheres já possuem o seu campeonato mundial de futebol da Federação Internacional de Futebul (FIFA). Elas atuam, por exemplo, no campo jogando, arbitrando e auxiliando, como bandeirinhas. E isso começou somente nos anos 90, 31 anos atrás, em 1991, com a primeira edição da competição, realizada na China.

Se passaram então mais de 60 anos desde a primeira edição para os homens. Em 1930, há 92 anos, no Uruguai, para que as mulheres tivessem a sua Copa. Enquanto os homens já estão na edição de número 22, para as mulheres já foram realizadas 8 edições do evento, e além da primeira já citada, houve os campeonados mundiais. Na Suécia em 1995, nos Estados Unidos em 1999 e 2003, na China novamente em 2007, na Alemanha em 2011, no Canadá em 2015 e na França em 2019.

A próxima está programada para o ano que vem, 2023, e ocorrerá conjuntamente na Austrália e na Nova Zelândia. Muitas dificuldades foram vencidas ao longo da história pela inclusão feminina nesse esporte. No Brasil, por exemplo, considerado desde muito “o país do futebol”, dada a grande popularidade, tendo os homens conquistado 5 títulos mundiais.

O recorde entre todas as Seleções, a modalidade esportiva para mulheres foi legalmente proibida nos anos 40. Época do governo de Getúlio Vargas, por ser condiderada “incompatível com as características do sexo feminino”. Somente no fim dos anos 70 houve regularização, com as primeiras competições “experimentais” mundiais nos anos 80.

As campeãs, na ocasião da primeira Copa feminina, foram as americanas. Sendo a Seleção delas tetracampeã, levantando a taça principal em 1991, 1999, 2015 e 2016 (bem mais fortes que a masculina de lá, diga-se de passagem, que jamais conquistou um título ou teve resultados impressivos), a número um de títulos na modalidade.

As alemãs aparecem em segundo lugar, como bicampeãs em 2003 e 2007. As norueguesas e as japonesas também conquistaram um título cada. As brasileiras, por sua vez, ainda não levaram a taça, mas já foram vice-campeãs (China, 2007) e chegaram ao terceiro lugar (Estados Unidos, 1999) ao menos uma vez e possuem a maior artilheira da história, a sergipana Marta. Que já, por exemplo, teve um desempenho maior até mesmo que o melhor goleador nos mundiais masculinos, o alemão Miroslav Klose.

Mas agora em 2022, com mais de duas décadas de século XXI já corridas e estando nós no terceiro milênio da humanidade. No Catar, em pleno Oriente Médio – região do mundo conhecida por haver menor liberdade feminina – um fato histórico está a acontecer e as mulheres se fazem presentes em campo, mas desta vez também nos jogos do mundial masculino, como árbitras.

Os nomes das árbitras

Stephanie Frappart (38 anos) e Neuza Back (também com 38 anos). De cidadanias francesa e brasileira, respectivamente, fazem história como as primeiras pessoas do sexo feminino a arbitrarem jogos em uma Copa do Mundo para jogadores. A primeira como quarta árbitra e a segunda, compatriota nossa, natural do estado de Santa Catarina, como quinta árbitra. Na terça-feira, 22 de novembro, ambas estiveram presentes na partida entre as seleções da Polônia e do México (Grupo C) da Copa do Catar.

Outras quatro profissionais da área, a ruandense Salima Mukansanga (34 anos), a japonesa Yamashita Yoshimi (36 anos). A mexicana Karen Diaz Medina (38 anos) e a americana Kathryn Nesbitt (34 anos) também estão presentes no Catar para arbitrarem jogos do mundial. Com isso, mulheres de quatro continentes – África, Américas, Ásia e Europa – estão representadas em campo, em um dos mais populares eventos esportivo de sempre. Onde antes só havia homens, marcando a representatividade de gênero e étnica da humanidade.

Trio de árbitras FIFA 2022

Palavras delas

A Agence France-Presse (AFP), Stephanie, que já tinha tido a experiência de arbitrar na Liga dos Campeões. No Campeonato Francês e na Liga Europa, disse estar muito emocionada, e que não esperava por isso, considerando a presença Copa do Mundo de futebol masculino um ápice para a sua carreira.

A mexicana Karen, que desde os oito anos se apaixonou pelo esporte, atua como árbitra desde 2016 em seu país, comemora o fato de as mulheres alcançarem seus sonhos no futebol. Graças ao esforço constante e também da colaboração daqueles que abrem as portas.

Salima, de Ruanda, frisou que elas mereciam estar ali, por fazerem bem seu trabalho, não apenas por serem mulheres. A japonesa Yamashita, que arbitrou na Liga dos Campeões Asiáticos em 2019, expressou sua felicidade e a surpresa pelo momento. Inegavelmente ela não esperava por isso.

Também nas arquibancadas

Além da presença feminina em campo como árbitras pela primeira vez no Catar, país com maioria muçulmana, também rodeado por outros com cultura semelhante (Arábia Saudita e Irã, onde há também queixas de entidades de direitos humanos sobre as situações dos LGBTs), onde as mulheres têm acessos a muitos espaços negados ou limitados.

Tendo que ter consentimento de parentes, especialmente dos homens, para muitas delas foi a primeira vez que assistiram a uma partida de futebol em um estádio – uma experiência mais emocionante que pela televisão. Ao portal brasileiro Uol, algumas espectadoras locais manifestaram – umas mais timidamente, não se permitindo gravar ou fotografar.

Algo não muito aceito pela cultura local – sua alegria pelo momento, expectativa de voltarem mais vezes e a surpresa com a contagiante energia da torcida. “Tive vontade de chorar”, disse uma delas, tamanha foi a emoção sentida com a ocasião. Com isso, a Copa representa não apenas um grande evento, de importância mundial no pequeno.

Mas rico Catar – menor território a já sediar o evento, que tem cerca de metade da área territorial de Sergipe, o menor estado brasileiro e é um grande produtor de petróleo, como outros países da região – mas também um marco para mulheres do país e do mundo, com a presença feminina em campo antes exclusivamente masculino. Que venham mais Copas cada vez mais inclusivas em todos os sentidos.