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O dólar com o impacto da pandemia

A crise econômica que pegou o mundo, também chegou a moeda americana e o resultado não é bom para o dólar.

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A pandemia de Covid-19 teve impacto direto em todas as economias globais. Com isso, o impacto na valorização de algumas moedas, como o dólar, tem efeito não só na país de origem da moeda, mas em todo o mundo. E, com o intuito de tentar conter os danos causados na economia do país, o Federal Reserve (Banco Central dos EUA) liberou a impressão de mais dinheiro para manter sua economia girando.

Com a iniciativa de imprimir mais dinheiro os gastos fiscais do país tiveram um aumento significativo e o mercado ganhou mais tempo para se adequar a realidade, seja ela da economia ou ao novo formato de comércio que empreendedores tiveram que se adaptar. No entanto o dólar foi desvalorizado com essa medida, o valor da moeda americana ficou baixo em relação as principais moedas em circulação pelo mundo nos últimos 10 meses. A exceção a regra foi o real brasileiro.

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O Fed (Federal Reserve) a fim de auxiliar no momento de crise econômica, reduziu as taxas de juros de maneira drástica, chegando a quase 0%. Isso fez com que o EUA se tornasse menos interessante para os investidores que, por sua vez, buscaram outros mercados para investido seu capital. Todos esses fatores têm contribuído para a desvalorização do dólar e quem ganha nesse cenário é o mercado internacional.

A queda do dólar

O Bloomberg Dollar Spot Index (BBDXY) é um índice que a companha a evolução da valorização das moedas. O acompanhamento é realizado com as principais moedas globais, inclusive de países emergentes. Através dele é possível observar que o dólar atingiu cerca de 1.300 pontos em março de 2020 e, de lá para cá, a queda é a constante na moeda. Vale ressaltar que o real brasileiro não é acompanhado pelo BBDXY.

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Stephen Roach, professor da Universidade de Yale nos Estados Unidos e ex-presidente do banco de investimentos Morgan Stanley na Ásia, afirma que o colapso da moeda está apenas no começo. Especialistas afirmam ainda que a moeda americana continuará sendo desvalorizada. Apenas nos últimos 10 meses o percentual de queda supera 12%, fazendo com que o dólar alcance seu pior nível desde 2018.

Outro fator relevante para o momento em que o dólar se encontra é a valorização do euro. Com o acordo de estímulo fiscal entre Alemanha e França se espera a valorização da moeda europeia e ainda maior queda do dólar americano. Há quem afirme que a melhor saída para o desempenho monetário americano é o aumento da taxa de juros. Vale ressaltar que o impacto da queda do dólar nos países da América Latina é diferente do restante do globo.

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E a América Latina?

Na América Latina a queda do dólar tem um impacto menor. E com isso as consequências variam de acordo com o setor e os atores econômicos que estão relacionados nas relações financeiras. Isso ocorre porque o mercado latino é mais arriscado, sendo assim a moeda local ainda fica em desvantagem em relação a moeda americana. De todos os países da região o México é o que apresenta maior desvalorização do dólar.

De certa forma o consumidor latino-americano é beneficiado com a queda do dólar. Afinal, alguns bens consumidos são importados — como produtos tecnológicos e automóveis — o que faz com que seus preços sejam reduzidos. Em contrapartida o preço de grande parte dos alimentos e matérias primas subiu, causando um impacto direto na alimentação da população devido a presença desses alimentos em todo o setor alimentício, como o trigo e a soja.

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De acordo com Hakan Aksoy, gerente sênior de portfólio da empresa francesa de gestão de ativos Amundi, a esperança com o enfraquecimento do dólar é que o valor da commodities subam. Caso isso ocorra, os países produtores da matéria-prima, como é o caso de grande parte da América Latina, são beneficiados. Mas vale ressaltar que nem tudo se resume a más notícias para os países emergentes.

Os benefícios da desvalorização do dólar

Com mais moeda circulando e, consequentemente, o dólar desvalorizado, existe a possibilidade de os EUA adotar políticas monetárias e fiscais mais flexíveis. Isso indica que os países emergentes podem realizar empréstimos de maneira mais fácil. Além disso as negociações de dívidas externas também podem ser realizada com uma melhor negociação dos juros. Ou seja, a moeda americana desvalorizada significa menor poder de negociação para o EUA.

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Mas nem tudo são flores. Mesmo com as boas perspectivas frente a desvalorização do dólar, o real brasileiro ainda continua inferior a moeda americana. Isso ocorre, principalmente, devido ao risco país e ao baixo nível da Selic. Outro fator importante é que o país está com um cenário pior em relação a outros países emergentes, com ênfase na situação fiscal atual. Sendo assim não há de se ter muitas esperanças para a valorização do real.

Dessa maneira a moeda brasileira ainda continua desvalorizada perante a moeda americana. Ou seja, o poder de compra nacional é inferior e o custo de vida continua elevado. A alta do dólar não tem impacto apenas perante produtos importados de maneira direta, mas mostra-se em diferentes níveis de consumo da população, desde os mais básicos até aqueles tidos como não essenciais.

O preço dos combustíveis, o valor dos alimentos e dos remédios são um forte exemplo. No atual cenário pandêmico, a situação fica um pouco pior, uma vez que muitos insumos e recursos para a área da saúde usados no país são importados. Sendo assim o dólar sendo desvalorizado não indica benefícios diretos para o Brasil, mas a economia global pode ser impactada de maneira positiva.

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