DeFi: um guia completo para você entender esse conceito

As finanças descentralizadas, conhecidas como DeFi, são o futuro das transações financeiras e podem representar o fim dos grandes bancos. Saiba mais!

O mundo das criptomoedas vem crescendo cada dia mais. Com isso, os investidores brasileiros procuram comprar essas moedas cada dia mais. Contudo, um dos maiores empecilhos para isso é o fato de os investidores não entenderem os conceitos por trás desse novo mercado. E um dos conceitos menos entendidos até hoje é o DeFi que, além do nome simples, é igualmente simples em seus fundamentos.

Isso porque ele funciona como um sistema financeiro atual, porém sem as regulamentações dos bancos. Ao entender apenas essa frase, você já consegue abordar muitos outros pontos para entender como a DeFi funciona, as suas vantagens e as suas desvantagens. Por isso, esse conceito é muito importante para você entender como que as finanças internacionais serão daqui para frente.

Ainda, economistas afirmam que a DeFi pode – e deve – mudar a forma como lidamos com o dinheiro atualmente. Isso porque ela é uma revolução na forma de transacionar valores. E isso não apenas para os clientes, mas também para os bancos e para os governos. Atualmente, é possível captar empréstimos em plataformas de DeFi, dada a sua grande aplicação prática, além da forte desburocratização do dinheiro nessas plataformas.

Com esse contexto de um aparente sucesso da DeFi, esse texto visa explicar tudo o que você precisa saber sobre essa nova forma de lidar com o dinheiro. Ainda, vamos explicar as vantagens e as desvantagens desse novo modelo, além de abordar as enormes diferenças para os sistemas bancários atuais. Por último, abordamos análises de especialistas sobre o futuro desse tipo de serviço financeiro.

O que é DeFi?

É bastante fácil definir o que é DeFi e quais os seus usos para os clientes e para os investidores. Contudo, os termos que usamos para defini-lo ainda são pouco acessíveis para os investidores em geral. Por isso, vamos passo a passo para que você consiga entender de uma vez por todas esse conceito e, com isso, chegar à conclusão se ele é bom ou não para você.

De início, é preciso entender que DeFi é uma sigla para decentralized finance. Em português, isso significa “finanças descentralizadas”. E por mais estranho que pareça à primeira vista, esse nome faz bastante sentido. Por isso, vamos dividir os conceitos em dois: primeiro o termo “finanças” e, posteriormente, o termo “descentralizadas”. Ao fazermos isso, você consegue entender melhor todo esse universo.

DeFi, em sua parte de finanças, corresponde a tudo aquilo que envolve as finanças já conhecidas. Por isso, estamos falando de empréstimos, créditos em geral, transações financeiras, sistemas de pagamentos, além de contratos que envolvem todas essas questões. Por outro lado, o termo “descentralizada” significa que ela não tem um centro. Dessa forma, não há um banco central ou uma instituição financeira intermediando as operações. Isso porque elas acontecem entre pessoas, algo que não envolvem bancos nem governos.

Com esse conceito, conseguimos trazer outro assunto para dentro das DeFi. Isso porque, ao termos operações de crédito sem intermediários e sem governos ou burocracias, logo lembramos dos conceitos de blockchain. E isso tem tudo a ver, dado que as DeFi são as operações de crédito que acontecem dentro desses sistemas.

Antes de seguirmos, um exemplo prático

Para que você consiga entender exatamente o conceito de DeFi, é preciso mostrar um exemplo prático. Isso porque, ao falarmos que não há intermediários, tudo isso pode parecer um pouco arriscado. Contudo, na prática, o uso da blockchain torna as finanças descentralizadas bastante seguras. Isso porque existem diversos algoritmos envolvidos nesse processo.

Por isso, vamos falar sobre um empréstimo. Na prática, hoje você vai a um banco, ele avalia se você é um bom pagador e, com isso, decide se empresta, ou não, para você o dinheiro que você precisa. Caso você seja aprovado nessa análise de crédito, você assina um contrato, que regulamenta o empréstimo dos valores. Com a DeFi, o processo é quase igual, com uma grande diferença: não há bancos.

Isso quer dizer que você pegará dinheiro emprestado com outra pessoa. Contudo, para que isso aconteça, também é preciso que você assine contratos. Porém, você não precisa de fato colocar a sua assinatura, dado que algoritmos que rodam sozinhos na plataforma fazem isso por você. Por ser uma forma bastante inteligente de assinatura, chamamos isso de smart contracts. Por isso, esses contratos são executados automaticamente e, com isso, você consegue pegar dinheiro emprestado diretamente com outra pessoa. Essa prática é chamada de negociação peer-to-peer (P2P).

Diante desse cenário, você não precisa recorrer a um banco ou qualquer outra instituição financeira. Por outro lado, você não corre o risco de uma análise de crédito que seja injusta. Além disso, existem diversas outras vantagens que a DeFi traz para a sua vida financeira. Contudo, para não misturar as coisas, abordaremos esses tópicos mais adiante no nosso texto.

Eu entendi. Mas como eu acesso esse serviço?

Como você pode perceber, é preciso que alguns algoritmos rodem dentro de alguns sistemas para que você consiga fazer as transações dentro de uma modalidade DeFi. E isso já existe e uma das redes é, também, a segunda maior criptomoeda do mundo. Estamos falando do Ethereum, um sistema de contratos inteligentes que permite que você faça pagamentos e operações financeiras descentralizadas.

Idealizada pelo russo Vitalik Buterin em 2013, ela é a maior plataforma, atualmente, de contratos inteligentes. Através dessa rede, você consegue criar aplicativos descentralizados que intermedeiam operações financeiras peer-to-peer entre usuários. Assim como todo empréstimo, o sistema também exige algumas garantias do pagador, além de fortes sanções para quem não executa os pagamentos.

Contudo, já existem sistemas muito mais avançados que a do Ethereum e que também trabalham com DeFi. Com isso, você também já pode ter ouvido falar de Solana, Binance Smart Chain e Avalanche. Vale lembrar que cada uma dessas redes conta com suas próprias criptomoedas, onde os valores são negociados entre duas pessoas, com a ajuda, mas não intermediação, de um sistema de blockchain. Por isso, a função do sistema é apenas o de juntar duas pessoas: uma que quer dinheiro e outra que quer emprestar.

Por isso, diferentemente de um empréstimo comum, o sistema não é a fonte do dinheiro. Isso porque, no empréstimo usual, você recorre a um banco. Ele faz o contrato, define os juros e empresta os valores. A sua função é apenas pegar o dinheiro e pagar as parcelas. Na Ethereum, a política de DeFi apenas junta duas pessoas. Com isso, os termos são acordados entre ambas as partes, sem que ninguém interfira.

Outras aplicações de DeFi

Agora que você entendeu uma operação de empréstimo usando o sistema de finanças descentralizadas, é hora de ampliar a discussão. Isso porque a DeFi envolve muito mais serviços que apenas um serviço de uma pessoa emprestar dinheiro para outra. Na verdade, essa forma de fazer transações permite que façamos quase tudo que fazemos atualmente através desse modelo.

A primeira forma que abordaremos é, também, a mais comum de todas. São as exchanges descentralizadas. A abreviação para esse serviço é (DEX). O termo “exchange” significa troca e, na prática, é exatamente isso que acontece. Estamos falando da troca de moedas entre duas pessoas, sem que haja intermediadores. Uma aplicação prática disso são as corretoras de criptomoedas. A função delas é juntar duas pessoas: uma quer vender criptomoeda e outra quer comprar. Apesar de parecido, esse não é conceito das corretoras de criptomoedas usuais, como a Binance.

Porém, com elas, você pode comprar diversas criptomoedas. A plataforma cobra uma taxa para que você consiga se juntar a outros investidores. Quando você quer comprar, ela junta você a pessoas que querem vender. Quando você quer vender, ela busca ligar você aos compradores. Dessa forma, você faz uma operação através de um sistema de blockchain, que deixa registros, mas que não é vinculado a um governo. De uma forma geral, as taxas são muito mais baixas que de corretoras centralizadas.

Outra forma de finanças descentralizadas são os empréstimos. Mesmo que já tenhamos mostrado como se faz essas operações, é importante citar alguns nomes. Atualmente, as maiores plataformas de empréstimos em DeFi são a MakerDAO e a Compound. Ainda, para pegar dinheiro emprestado, é preciso deixar alguns ativos como garantia. Em caso de não pagamento, você perde esses ativos. Caso você não tenha, o sistema não deixa você pegar dinheiro emprestado.

A aplicação com maior potencial

Com essas duas modalidades de DeFi, deixamos por último uma que tem um enorme potencial e, na verdade, muitas pessoas já usam. Estamos falando das stablecoins, que são a expressão da internacionalização do dinheiro. Isso porque elas têm um funcionamento próprio, mais seguro e muito mais visível na prática que os outros tópicos que abordamos anteriormente.

Isso porque poucas pessoas estão dispostas a pegar empréstimos via DeFi atualmente. Por outro lado, muitos investidores têm medo da grande variação de preço do bitcoin, do ethereum e das mais diversas moedas. Damos a isso o nome de volatilidade. Contudo, com as stablecoins, conseguimos unir os serviços descentralizados com a baixa variação de preços das moedas fiduciárias, como o real e o dólar.

Isso porque as stablecoins são lastreadas em moedas reais. Com isso, o preço dela sempre será igual à moeda-base. Pense que você pode criar uma moeda que vai valer, sempre, 1 real. O preço dela será, eternamente, 1 real, faça chuva ou faça sol. Contudo, não existe ainda com o real, mas já existe com o dólar. Atualmente, o Tether, o USD Coin e a Binance USD são moedas que valem 1 dólar sempre. Por isso, em vez de comprar dólares diretamente, você pode comprar essas moedas. Essa operação não terá impostos nem as altas taxas do banco. Além disso, com uma boa DeFi, você comprará diretamente de outra pessoa.

Além das stablecoins atreladas ao dólar, existem também uma que é atrelada ao ouro. Estamos falando da Pax Gold. Essa criptomoeda valerá sempre 1 onça de ouro, aproximadamente 31 gramas do metal. Contudo, ela é uma moeda que investidores usam para momentos de crise no mercado financeiro. Com ela, você não precisa comprar ouro diretamente, nem pagar os impostos e taxas de investir nesse produto por corretoras regulamentadas por governos.

Onde mais se usa DeFi hoje em dia?

Atualmente, diversos são os programas de finanças descentralizadas no mundo. Vale lembrar que, para que elas existam, é preciso ter um sistema maior. Por isso a grande maioria desses serviços que abordaremos rodam dentro da Ethereum, a maior plataforma de smart contracts da atualidade. Além disso, esses serviços são comumente chamados de “protocolos”.

Um dos protocolos pioneiros dentro da Ethereum foi a MakerDAO. Com ela, clientes colocam suas criptomoedas em suas contas e consegue gerar ou captar empréstimos. Se você quer pegar dinheiro emprestado, seu dinheiro é usado como garantia. Caso queira emprestar dinheiro e ganhar rendimentos com isso, você deixa as suas criptomoedas por um tempo dentro da plataforma. Como é um serviço de DeFi, outra pessoa pegará dinheiro automaticamente de você e, posteriormente, pagará uma taxa para isso. Todas as transações dentro da MakerDAO ocorrem na moeda DAI, que é uma stablecoin atrelada ao dólar.

Outro protocolo muito famoso é a Curve Finance. Ela é uma exchange descentralizada, onde pessoas compram e vendem, entre si, moedas digitais. O custo para isso é muito baixo e as operações acontecem quase que de forma instantânea. Além disso, o livro de ofertas, que menciona a quantidade de compra e o preço, é gerido por contratos inteligentes e algoritmos de alta eficiência.

O InstaDApp é uma forma de DeFi bastante curiosa. Isso porque ela é usada para que você consiga juntar tudo o que tem de finanças descentralizadas em apenas um lugar. Por isso, se você usa o MakerDAO e a Curve Finance, você consegue  ver tudo isso dentro da InstaDApp. É como se ela captasse todos os seus investimentos e espelhasse tudo para você em apenas uma tela. Ainda, por meio dela, você consegue operar em outros protocolos.

O futuro dos sistemas bancários

Mesmo com todo esse modelo de funcionamento, a grande revolução do DeFi é a sua forte quebra com o atual sistema bancário. Isso porque eles são opostos e funcionam de forma diferente em muitos aspectos. Por isso, especialistas começam a analisar o futuro das transações bancárias. Até agora, as conclusões são interessantes.

Isso porque o sistema bancário atual é bastante centralizado. Dessa forma, existe um sistema onde o Banco Central sabe quem enviou dinheiro para quem, o horário e os valores. Ainda, os bancos são os intermediadores dessas operações e, muitas vezes, cobram taxas para fazer isso. Com o advento do Pix, as transações ficaram mais rápidas e baratas, mas a velocidade é muito inferior à velocidade de transação de sistemas que usam o DeFi.

E não é para menos. Isso porque existem passos dentro do seu Pix. Você informa o banco que quer fazer a transferência, ele puxa os dados e valores, envia para o destino e registra a operação. Enquanto isso, no DeFi, você apenas envia o dinheiro para outra pessoa diretamente. Sem intermediários e com um registro feito por algoritmos inteligentes e bastante rápidos.

Por conta disso, especialistas acreditam que o futuro das operações bancárias, como conhecemos atualmente, está comprometido. Isso porque os bancos tendem a perder seu espaço no mercado gradativamente. Com as finanças descentralizadas, as pessoas buscarão ter mais autonomia ao lidar com o seu dinheiro. Dessa forma, o movimento da DeFi não pode ser ignorado, afirmam especialistas.

As vantagens do DeFi

As finanças descentralizadas não surgiriam se não houvesse diversos benefícios. E no caso do DeFi, eles são inúmero e, na verdade, mudam praticamente tudo o que sabemos hoje de bancos convencionais. Isso porque essa modalidade de finanças permite que você tenha mais controle sobre o seu dinheiro, além de que ele democratiza o acesso para todas as pessoas.

Ao entrar em um sistema descentralizado, somente você tem acesso ao seu dinheiro. Com isso, nem bancos nem pessoas poderão saber o seu saldo ou suas informações. Dessa forma, você tem total controle para saber onde investir e como gastar, sem que o banco fique indicado produtos que, na verdade, são perigosos para os seus investimentos.

Por outro lado, as finanças descentralizadas permitem que todas as pessoas tenham acesso aos serviços. Isso porque qualquer pessoa que conheça o protocolo pode entrar e fazer as operações. Contudo, isso não quer dizer que todos farão, dado que as garantias, no caso dos empréstimos, são fundamentais. Porém, atualmente, mesmo com garantias, muitas pessoas não conseguem crédito em bancos convencionais.

Taxas de empréstimos mais atrativas

Além disso, os serviços de DeFi contam com taxas ainda mais atrativas para quem quer pegar crédito nessas plataformas. Isso serve muito para o Brasil, já que, por aqui, temos taxas bem maiores que a de países desenvolvidos. Além disso, para o mercado americano, esses juros também são menores que os praticados pelos maiores bancos do país.

Com isso, uma pessoa que quer pegar empréstimos de qualquer valor pode contar com juros menores. Isso faz com que, na prática, a inadimplência seja menor. Em benefícios para o país, essa modalidade representaria um maior incentivo ao empreendedorismo e aumentaria a dinâmica econômica, fazendo o dinheiro girar mais rápido. Estudos apontam que, quando isso acontece, o país tende a se desenvolver muito mais rápido. Logo, as DeFi também têm um uso prático, não apenas especulativo.

E isso também serve para quem quer a casa própria. Com juros menores, o acesso ao mercado imobiliário fica ainda mais democratizado, dando às pessoas de menor renda a possibilidade de fazerem financiamentos de imóveis. Contudo, vale lembrar que isso ainda não acontece de forma frequente. Por isso, não é possível encontrar financiamentos com prazos de 360 meses, por exemplo.

Apesar disso, as DeFi têm diversas vantagens em relação ao sistema bancário tradicional. Além disso, para quem sente na realidade, as finanças descentralizadas impediriam aqueles números de telemarketing chatos que ficam ligando o dia todo. E quem recebe essas ligações há de concordar que o fim disso é, por si só, uma excelente notícia.

Contudo, o lançamento de diversos serviços de DeFi também geram alguns problemas. Isso não apenas para usuários, mas também para governos. Dessa forma, é importante dizer que essas operações ainda têm muita resistência de entrada na sociedade e, por isso, a sua adesão como um serviço bancário precisará de tempo.

As desvantagens do DeFi

Mesmo com diversas vantagens que podem mudar o futuro do mundo financeiro, os sistemas de finanças descentralizadas possuem algumas desvantagens bastante relevantes. Por isso, é fundamental que o usuário saiba bem sobre os serviços antes de utilizá-los e, com isso, fazer a escolha correta na hora de adotar um serviço desse tipo.

Isso porque o modelo DeFi opera sobre um sistema de blockchain. Por isso, o principal problema acontece quando o usuário envia para contas erradas. Nesses modelos, é impossível recuperar o dinheiro, a menos que o cliente que recebeu o dinheiro devolva. Atualmente, com o Pix isso também acontece, mas por vias legais é possível recuperar o valor. Pela blockchain, não.

Além disso, o sistema de finanças descentralizadas não permite regulamentações de mercado. Por isso, em tese, ele não tem tanta segurança jurídica como os processos com bancos e financeiras atuais. Por outro lado, especialistas em segurança afirmam que as operações se regulam automaticamente, com uma pessoa fiscalizando as operações das outras. Porém, na prática, isso dependerá de muitos outros fatores.

Outra desvantagem é a gestão de dados. Isso porque, ao tomar dinheiro emprestado ou, do contrário, emprestar dinheiro, é preciso acreditar naquilo que é dito. Atualmente, nos setores bancários tradicionais, há uma forte busca de dados por parte das instituições financeiras. Além disso, a DeFi permitirá usar diversos protocolos, o que pode ser um risco para quem quer emprestar dinheiro.

Mesmo com essas desvantagens, o mercado de finanças descentralizadas não pode mais ser ignorado. Isso porque o crescimento dele é, atualmente, muito relevante e é possível que fique cada vez mais popular ao redor do mundo. Por isso, quem conhecer o mercado agora pode ter bons rendimentos no futuro, além de poder ter diversos serviços financeiros com condições que, atualmente, estão melhores.

O mercado das finanças descentralizadas

Mesmo que ainda não seja muito popular à grande maioria das pessoas, o mercado de DeFi já é bilionário. Por isso, os valores não são irrelevantes, além do fato de que grandes personalidades do mundo já se valem desses serviços para fazer suas transações. Dessa forma, é esperado que esses protocolos e essa forma de transação ganhe o mundo nos próximos 10 anos, aproximadamente.

Atualmente, as operações por lá são promissoras e há diversos especialistas recomendando a entrada de pessoas para esses produtos. Além disso, alguns fundos de investimentos já fazem algumas operações nessas plataformas, dado que a burocracia é muito menor. Resultado disso é que hoje estima-se que mais de 25 bilhões de dólar sejam transacionados no ano por meio dessas plataformas.

Por conta disso, é uma preocupação que está crescendo em diversos setores. Nos bancos, a ideia de entrar nesses serviços começa a criar corpo e se efetivar. Por outro lado, usuários, que veem na DeFi uma forma de conseguirem créditos e rendimentos, também recorrem aos protocolos para fazerem suas operações.

Essa grande fortuna sendo movimentada gera um mercado ainda mais dinâmico e democratizado. Contudo, existe muita dificuldade em acessar o consumidor final, que são as pessoas comuns. Por isso, especialistas acreditam que a próxima estratégia desses protocolos de DeFi é investirem em setores de marketing para que consigam captar novos clientes.

Por último, mas não menos importante, não podemos deixar de lado as preocupações de governos em relação à DeFi. Contudo, esse assunto é extremamente delicado e, para isso, precisaremos abordar um tópico exclusivo para esse tema. Isso porque esse tema ainda está em discussão no mundo todo, o que também inclui o Brasil.

Como o Brasil regulamenta esse sistema?

O Brasil ainda não tem uma forma de regulamentação das DeFi. Além disso, não há regulamentações em cima de usos de blockchains ou criptomoedas. Por isso, a discussão já está acontecendo nos poderes legislativos, como o Senado Federal e a Câmara dos Deputados. Por isso, atualmente, os perigos para os investidores brasileiros ainda são mínimos.

Isso porque, com uma possível regulamentação, pessoas precisariam se adequar às regras, o que poderia levar a processos de malha fina no imposto de renda, entre outras formas de declaração. Por outro lado, isso também quer dizer que, para os investidores, esse ambiente ainda é livre de regras e, com isso, é possível fazer diversas operações sem restrições.

Além disso, não há um modelo de tributação e regulamentação que esteja em andamento no mundo. Isso porque os países que lidam com o assunto optaram por barrar todas as operações. É o caso de China e Rússia. Por outro lado, grandes economias do mundo, como os Estados Unidos, também tem muitas dificuldades para que, em vez de barrar, consiga tornar esse mercado mais seguro para os clientes, ao passo que bancos se sintam confiantes em usar esses sistemas de DeFi.

Especialistas acreditam que esse processo será ineficaz em um primeiro momento. Ao tentar regulamentar o mercado, os governos esbarrarão na forte dinâmica desses mercados, que facilmente driblarão as normas de governos e estados autoritários. Por outro lado, países que obtiverem sucesso em seus planos podem fazer o crescimento dos mercados de DeFi chegarem a patamares onde não sejam tão bons para a população.

Isso é seguro?

Mesmo depois de saber como funcionam os serviços de DeFi, com exemplos práticos, ainda ficam dúvidas em relação a um tema central: a segurança. Isso porque de nada vale um sistema ter enormes vantagens, se ele não for, de fato, seguro. E para termos essa resposta, é preciso relembrar algumas coisas.

Isso porque o sistema de DeFi usa o que chamamos de blockchain. Com isso, esses sistemas unem usuários entre si, sem intermediadores, para que consigam fazer suas operações financeiras. Ainda, esse sistema permite que todos regulamentem a atividade, por meio de livros contábeis que, por sua vez, mantêm o anonimato dos usuários.

Por conta disso, até agora a segurança das finanças descentralizadas está fortemente ligada à segurança das blockchains. E isso é excelente, dado que esses sistemas que operam as DeFi são extremamente seguros. Para se ter uma ideia, a blockchain mais famosa do mundo, a do bitcoin, não tem nenhum registo de invasão até hoje. Ela está em funcionamento desde 2009 e, até agora, nunca houve vazamento de dados ou qualquer falha na operação dos sistemas.

Além disso, o sistema de blockchain, usado na DeFi, começa a ganhar espaço em outros projetos. Atualmente, a rede de supermercados Carrefour usa esse método para guardar informações sobre a criação de frangos que são vendidos nas prateleiras. Por meio da blockchain, o cliente consegue ver todo o histórico do animal, incluindo dados de saúde.

Por isso, especialistas em cibersegurança afirmam que, no quesito de confiança, os sistemas de DeFi são muito melhores que os sistemas bancários atuais. Além disso, com a gradual implementação da blockchain na vida das pessoas, os sistemas de segurança devem ficar cada vez mais aprimorados, o que é uma excelente notícia para quem vai utilizá-los.

Como investir no DeFi?

Diante de toda esse crescimento, investidores querem fazer dinheiro aportando em DeFi. O lado bom é que existem diversas formas de fazer dinheiro com isso atualmente. Ainda, é importante que você escolha a melhor forma para o seu caso, dado que muitos investidores, mesmo tendo conhecimento, não têm tempo para fazer as operações necessárias.

E para investir nessa modalidade de serviços, existem alguns serviços que podem ajudar você a chegar no seu objetivo. O primeiro é através de corretoras centralizadas, mas especializadas em criptomoedas. Estamos falando de grandes empresas, como Binance, Crypto.com, entre outras gigantes. E, ao entrar nessas plataformas, basta fazer o básico.

Isso porque você deve apenas procurar o token que as plataformas de DeFi usam. Depois disso, basta comprar elas e esperar que o valor renda. Atualmente, existem diversos tokens que você pode comprar. Um dos maiores exemplos é a UNI, que é um token usado no protocolo Uniswap, uma exchange descentralizada.

Além disso, temos um token bastante famoso nesse mercado que é a COMP. Esse é o token da plataforma Compound, aquela que mencionamos ao falar dos empréstimos em DeFi. Atualmente, ela está cotada a, aproximadamente, 120 dólares cada token, mas você pode começar com valores bem menores que isso, comprando frações desse token.

Contudo, existem muito mais tokens disponíveis, além, claro, de muitas outras possibilidades de você investir em plataformas de DeFi. Contudo, a ideia é sempre a mesma: quanto melhor a plataforma, mais ela ganha dinheiro e, com isso, mais os ativos ligados a ela sobem. E essa estratégia é usada por grandes fundos de investimentos. Além disso, essa é também uma excelente forma de você entender a importância da diversificação nos investimentos. Por isso, tenha sempre 5 ou mais ativos de DeFi em sua carteira de investimentos.

Fundos de investimentos

Uma das melhores formas de investir em DeFi é através dos fundos de investimentos. Isso porque, mesmo que você saiba tudo sobre esse assunto, existem pessoas especializadas e pagas para fazer isos durante todos os dias. Por isso, é extremamente comum que esses profissionais saibam mais que você e, por isso, façam escolhas melhores do que você faria.

E para investir em DeFi pelos fundos de investimentos existem duas formas. A primeira é ir diretamente em fundos de investimentos multimercados que têm essa política. Atualmente, grandes corretoras, como o BTG, a Vitreo e a Warren, possuem fundos voltados para esse mercado. Por outro lado, você mesmo pode comprar um ETF, fundo que seguirá um índice.

Dessa forma, os especialistas escolhem os melhores ativos e você ganha com isso. Contudo, há diferenças entre investir em fundo e investir através de ETF. Isso porque no fundo de investimentos, você deve acessar a correta que distribui o produto. Ainda, eles possuem taxas de investimentos, performance e administração, custos que você precisa saber antes de investir no produto.

Por outro lado, os ETF estão disponíveis em qualquer plataforma que tenha acesso à bolsa de valores. Com isso, basta você acessar a corretora e comprar o fundo que desejar. Atualmente, o mais conceituado é o HASH11, mas existem outros como o WEB311, que investe apenas em ativos de contratos inteligentes, típicos de DeFi. Ambos os ativos são geridos pela Hashdex Asset, a maior gestora ligada ao mercado de criptomoedas do Brasil.

De qualquer forma, você deve sempre diversificar os investimentos. Com isso, você diminui os riscos de perda de valores, além de ter mais chances de selecionar os fundos que terão os melhores rendimentos do mercado. Ainda, investir nesses produtos de DeFi não torna desnecessário investir em outros ativos, como a renda fixa tradicional. 

A forma mais arriscada até agora

Por último, não podemos deixar de citar uma forma de fazer dinheiro com DeFi os próprios serviços de finanças descentralizadas. Contudo, é importante ressaltar que essa forma só é indicada para aquelas pessoas que têm experiência em mercado financeiro e que podem deixar valores parados nesses sistemas. Contudo, o funcionamento é bastante simples.

Estamos falando de colocar as suas criptomoedas para serviços de empréstimos ou pools de mineração. E mesmo que pareça complexo entender esses assuntos, eu tenho certeza que, com as palavras certas, você entenderá, de uma vez por todas, como tudo isso funciona. Por isso, vamos começar com as operações de empréstimos.

Nelas, você deixa as suas criptomoedas paradas e, posteriormente, vai arrecadando juros com isso. A depender da plataforma, os juros são definidos pelo algoritmo. Em outras, você mesmo pode definir as taxas. Na prática, é melhor selecionar os protocolos que calculam isso automaticamente. Ao fazer isso, outra pessoa pega seu dinheiro emprestado e, posteriormente, devolve com juros. É a DeFi simulando serviços reais.

Já os pools de mineração são diferentes. Isso porque os pools são cooperativa entre mineradores. Na prática, essas pessoas “fazem ” criptomoedas. Contudo, elas precisam de dinheiro para iniciar as operações e, com isso, recorrem aos empréstimos em DeFi. Por isso, você empresta o dinheiro para essas pessoas e, assim que elas encontrarem criptomoedas, pagam a você os juros que prometeram.

Para quem deseja começar nessa modalidade, o ideal é ter poucos valores. Isso porque o risco de perda é grande e, na verdade, a falta de conhecimento pode acentuar ainda mais as chances de prejuízo. Por isso, busque sempre começar com pouco dinheiro e, à medida em que for ganhando confiança, aumente os aportes nessas plataformas. Além disso, é importante estudar bastante antes de dar o primeiro passo.

As previsões para o futuro

Os sistemas de DeFi já são enormes, mas isso não quer dizer que terão sucesso no futuro. Apesar disso, é sempre bom buscar opiniões de analistas para entender como eles estão pensando essas questões. Diante disso, é possível traçar cenários através do que essas pessoas estudam e, até agora, todos eles são favoráveis.

Para o futuro, especialistas esperam que essas plataformas ganhem ainda mais força. Isso porque elas democratizam os investimentos, o acesso ao crédito e também as finanças pessoais. Com isso, é provável que o uso se torne ainda mais popular, trazendo muitos investidores que, hoje, estão de fora dessa enorme tecnologia. Além disso, operações de empréstimos devem ficar ainda mais acessíveis e isso deve se expandir para outras modalidades de crédito, como imobiliário e financiamento de automóveis, principalmente os elétricos.

Por outro lado, ao mesmo tempo em que as plataformas de DeFi crescem e ganham popularidade, isso também fará com que os governos atuem fortemente nesse assunto. Por isso, também é possível esperar fortes sanções de governos em relação a isso. Dessa forma, o uso das plataformas de finanças descentralizadas podem começar a ter o controle do governo e, com isso, aumentarem as exigências de declaração. Isso acontecerá principalmente no imposto de renda.

Por outro lado, olhando a nível global, grandes empresas terão mais facilidade em enviar valores umas às outras. Isso incluirá valores bilionários, o que fará o comércio internacional ficar ainda mais dinâmico e competitivo. Ainda, isso dificultaria sanções econômicas a países adversários. Com isso, o comércio tende a crescer de forma mais forte. Além disso, essa novidade pode aumentar a competição na economia do mundo todo. Para especialistas, esse processo, caso tenha sucesso, deve demorar cerca de 10 a 15 anos para acontecer.